Negócios no Chiveve — Revista
Liderança

Glayds Gande: Liderança Feminina que Transforma as Empresas Moçambicanas

Por Franco David·15 de setembro de 2026·5 min de leitura
Glayds Gande: Liderança Feminina que Transforma as Empresas Moçambicanas

Num contexto global marcado por rápidas transformações económicas, crescente pressão competitiva e necessidade constante de inovação, a liderança deixou de ser apenas uma função operacional para se afirmar como um factor crítico de sustentabilidade e crescimento das organizações. Em Moçambique, este debate ganha uma dimensão estratégica adicional ao considerar o papel crescente das mulheres nos […]

Num contexto global marcado por rápidas transformações económicas, crescente pressão competitiva e necessidade constante de inovação, a liderança deixou de ser apenas uma função operacional para se afirmar como um factor crítico de sustentabilidade e crescimento das organizações. Em Moçambique, este debate ganha uma dimensão estratégica adicional ao considerar o papel crescente das mulheres nos espaços de decisão e o impacto efectivo dessa presença na performance empresarial.

A ascensão da liderança feminina deixou de ser apenas uma questão de equidade — é, cada vez mais, uma questão de competitividade e de visão estratégica. Neste cenário, destaca-se a voz de Glayds Gande, cuja trajectória, construída entre o sector público, organismos multilaterais, pequenas e grandes empresas, bem como multinacionais, lhe confere uma perspectiva ampla, pragmática e profundamente contextualizada sobre o funcionamento das organizações.

A sua leitura é clara e disruptiva: não existe um modelo único de liderança. O que funciona depende da cultura organizacional, do ambiente de negócio, dos objectivos estratégicos e do público que se pretende impactar. Liderar, neste sentido, é um exercício contínuo de adaptação — a capacidade de ajustar ferramentas, decisões e abordagens às dinâmicas específicas de cada contexto. Esta visão rompe com modelos rígidos e posiciona a liderança como uma competência estratégica, dinâmica e situacional.

Ao longo do seu percurso, um dos elementos mais marcantes tem sido ocupar espaços de decisão tradicionalmente dominados por homens, sendo frequentemente a única mulher na sala. Mais do que um obstáculo, esta realidade tornou-se uma fonte de motivação e afirmação. A criação e aprovação de iniciativas como o programa Be Like a Woman reflectem esse compromisso, ao focar-se na capacitação feminina para ultrapassar o “tecto de vidro”, preparando mulheres para assumirem posições estratégicas com competências, confiança e redes de suporte estruturadas.

Apesar destes avanços, a presença feminina nos níveis mais altos das organizações em Moçambique continua a enfrentar desafios estruturais. Curiosamente, observa-se maior abertura nas empresas de matriz nacional, impulsionadas por agendas de inclusão. Em contraste, nas multinacionais e em algumas instituições públicas, as mulheres são ainda frequentemente direccionadas para funções periféricas, afastadas dos centros de decisão. Esta realidade torna-se mais evidente quando se constata a ausência de mulheres no cargo de Presidente do Conselho de Administração (PCA) em grandes empresas no país, revelando que o verdadeiro desafio permanece no topo das estruturas organizacionais.

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