Ser Empresário em Moçambique: Uma conversa com Salimo Abdula

“Procurem não correr atrás de muitos sonhos. Definam o vosso grande sonho e corram atrás dele, para não se perderem pelo caminho.” O conselho, directo e pragmático, é dirigido sobretudo à juventude que ambiciona entrar no mundo empresarial. Para Salimo Abdula, a dispersão é um dos principais inimigos do crescimento: quando o jovem persegue demasiadas […]
“Procurem não correr atrás de muitos sonhos. Definam o vosso grande sonho e corram atrás dele, para não se perderem pelo caminho.”
O conselho, directo e pragmático, é dirigido sobretudo à juventude que ambiciona entrar no mundo empresarial. Para Salimo Abdula, a dispersão é um dos principais inimigos do crescimento: quando o jovem persegue demasiadas metas em simultâneo, corre o risco de perder direcção, energia e consistência. O primeiro passo, defende, é identificar um grande objectivo, assumir o compromisso com esse propósito e avançar com disciplina.
Natural de Quelimane, na província da Zambézia, Salimo Abdula viveu parte da infância na aldeia de Maruro, onde a língua predominante é o cisena. Filho de pai natural de Inhambane e mãe de Sofala, construiu um percurso que combina raízes diversas, experiência acumulada e uma ligação profunda ao país real. Fora da vida empresarial, define-se como homem de família e pai de três filhos. Há mais de 30 anos fixou-se em Maputo, onde consolidou a sua actividade empresarial e liderança institucional.
Salimo sublinha que a formação que recebeu em casa foi determinante para o seu crescimento. Os pais, explica, não tinham grande capacidade financeira, mas transmitiram-lhe valores sólidos – ética, respeito, disciplina e sentido de responsabilidade. Esses princípios, afirma, continuam a ser o alicerce do seu desempenho e reputação.
Para além do núcleo familiar, destaca igualmente a influência dos tios Carimo e Baiana, que o acolheram para que pudesse prosseguir os estudos, numa época em que a aldeia onde vivia não dispunha de escolas. Fez o ensino primário em Quelimane, estudou na Ilha de Moçambique após a transferência dos pais e, em Nampula, frequentou o Instituto Comercial. Mais tarde, passou pela Beira e por Maputo, sempre com o objectivo de continuar a formação.

Na Cidade da Beira, concluiu o Instituto Comercial e foi afecto à Direcção Provincial de Comércio. Nos tempos livres, trabalhava numa empresa de engenharia, experiência que complementava a sua formação. Mas a ligação ao trabalho vem de muito cedo: aos 13 anos, em Quelimane, realizava actividades num bar para contribuir para a economia familiar.
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